quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Encontro cultural ecológico


Aí, galera, prá quem vai prá região oeste do Paraná: um evento pró-menos lixo industrial em nossas vidas:


Neste próximo domingo 21/12.

- Meditação, Yoga, Tai-Chi, Palestras e Oficinas Ecológicas na parte da manhã;
- Improvisos e Oficinas Teatrais , Malabares, Música, Filmes e outras apresentações na parte da tarde.
- Tenda de Reiki, Terapias e Lanches Naturais durante o dia todo!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

GRÁTIS - IV Semana de Cinema e Psicanálise no Cine Luz


IV Semana de Cinema e Psicanálise no Cine Luz
Durante toda essa semana (01 a 07 de dezembro), no Cine Luz será apresentada a IV Semana Cinema e Psicanálise. Em suas edições anteriores, a Semana teve como enfoque filmes atinentes respectivamente ao desejo humano, à figura paterna, e ao sentimento de perda. Nesta edição o enfoque é o da sensibilidade e do sentimento enquanto criação e expressão artística. A entrada é gratuita em todas as sessões, que acontecem sempre às 20h. Confira a programação:
Dias 1º e 2:
Todas as Manhãs do Mundo – (Tous lês matins du monde – França/1991). Duração 115’. Direção de Alain Corneau. Com Jean-Pierre Marielle, Gerard Depardieu, Anne Brochet, Guilhaume Depardieu.
O ambiente musical na corte de Luis XIV, na França do século XVII, e um renomado músico que quer afastar-se do fausto monárquico para buscar uma vida simples, e melhor dedicar-se à sua arte. Classificação 14 anos
Dias 3 e 4:
Auto-Retrato de Bakum (BR/PR/1982). Duração 40’. Direção de Sylvio Back, com Nelson Padrella. – A trajetória trágica de Miguel Bakum (1909-1963), um dos principais expoentes da moderna pintura do Paraná, incompreendido e assolado por conturbações e dramas interiores. Classificação 12 anos.
Dia 5:
Ironweed (EUA/1987). Duração 137’. Direção de Hector Babenco Com Jack Nicholson, Meryl Streep, Carrol Baker - Drama, que remete aos anos difíceis da Depressão americana na década de 1930, sobre um casal de alcoólatras, o marido se deixando sucumbir por uma antiga culpa, e a mulher, uma cantora de rádio, por não ter conseguido alcançar o sucesso. Classificação 14 anos
Dias 6 e 7
Crime Delicado (BR/2005). Duração 87’. Direção de Beto Brant. Com Marco Ricca, Lílian Taublib, Felipe Ehrenberg. A aproximação conflituosa entre um crítico de teatro, uma jovem mutilada e desinibida, e um artista plástico, dá motivo para a discussão sobre a natureza, objeto, motivação, significação, e fronteiras da criação e da expressão artística. Classificação 16 anos.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Arrecadação para as vítimas em Santa Catarina

Balneário Camboriú


A Fundação Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU) está arrecando doações de roupas e alimentos para as vítimas das enchentes em Santa Catarina.

Para quem estiver interessado em ajudar, as doações poderão ser feitas na própria fundação, localizada na Rua Luiz Leão, nº 1, próxima ao Passeio Público e ao Colégio Estadual do Paraná. As doações podem ser feitas em qualquer horário. Muitos ainda precisam de nossa ajuda.




Segundo informações da Defesa Civil de Santa Catarina, foram registrados até a manhã de hoje, mais de 150 mil desalojados e desabrigados, mais de 100 mortos e mais de 1.500.000 afetados. Quem se interessar, poderá encaminhar mantimentos não perecíveis às defesas civis de suas cidades, postos de coleta (como o da CEU) ou fundos sociais, (qualquer dúvidaé só ligar para a sua prefeitura).

Segundo a defesa civil de Curitiba, a prioridade está sendo para alimentos de consumo imediatp, como galões de água potável e enlatados, pois em algumas localidades, não existem formas de cozer os alimentos. Quem quiser poderá enviar mantimentos para cozimento como arroz, feijão, etc. Outra alternativa é a ajuda financeira através do depósito de qualquer valor para as contas bancárias abertas unicamente para esse fim.

No site oficial da Defesa Civil de Sta Catarina, constam os numeros das contas bancárias.
http://www.defesacivil.sc.gov.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1 

Se possivel, repassem para seus contatos e comunidades no Orkut, e-mail...

"Acho que os sentimentos se perdem nas palavras. Todos deveriam ser transformados em ações, em ações que tragam resultados."

- Florence Nightingale


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Espaço da Casa? Será? E o Espaço dos Moradores?

Seguinte, esse post é para questionar uma atitude que vem acontecendo com uma frequência que não me parece interessante.

Ocorre que, muitos eventos da casa estão acontecendo sem que os moradores fiquem sabendo. Quando os tais eventos são festas, tudo bem, apesar de achar que estas deveriam passar pelo Departamento Cultural. Entende-se que ocorram da forma que ocorrem, é um direito dos moradores. 

Porém, dia desses estava acontecendo uma filmagem em um quarto da casa. Algum morador estava participando? Tenho quase certeza que não. Compreendo que estas atividades fazem parte de um intento de trazer uma melhor imagem pública - ou mesmo lucros - para a casa. Porém, nada mal seria caso os moradores que estão inseridos na área pudessem participar de tais ocasiões, enriquecendo suas experiências e até mesmo agregando conhecimentos aos responsáveis por tais produções... 

Portanto, não custa nada e é enriquecedor para ambas as partes a participação dos moradores nestes trabalhos, assim, um aviso, um cartaz que seja, não seria de mal tom por parte dos responsáveis.



Foto das tais "filmagens"...

FESTA! Game Over!


Segundo Dogrão, nosso amigo ex-presidente/chanceler/ditador do Departamento Cultural: 

"Depois da nossa parceria com os ursos Gammy, soubemos da existência de outras criaturas na Chácara Bosque das Araucárias, as quais, sabendo da nossa boa relação com os queridos ursinhos, aceitaram nos receber no seu habitat. Não perca...Game Over em parceria com as criaturas mágicas."

Clique na imagem para informações menos lisérgicas!


sábado, 15 de novembro de 2008

Espaço da Casa n.13 - Madrugada Alucinada

Segue mais um conto de autoria do morador Renan Costa, se é que esse trabalho em especial pode ser chamado de conto. Que o leitor não fique surpreso se as palavras transpirarem alguma estranheza ou inconsciência: o que se destaca aqui é que o texto, que relata talvez algo de um sonho, não foi escrito somente, nem sonhado - foi sim a manifestação motora de um sonho. O que encontra-se nessas linhas não é o sonho propriamente dito, mas a reação motora que ele, imediatamente, durante o seu transcurso, desencadeou em dez dedos sobre um teclado. Fora desse contexto, talvez, desapareça o singular e o interessante de Madrugada Alucinada.



Madrugada Alucinada

Era uma alva e clássica madrugada, daquelas em que o orvalho congelado cobre todas as coisas. Eu não sabia dizer mais nem meu nome, não sabia mais coordenar movimentos complexos, não sabia mais vomitar. Sei lá o que eu tinha tomado, sei lá que drogas tinha misturado, sei que estava totalmente inepto num segundo e, no outro, corria desesperado de não sei que sombra. Parei, ofegante, e já estava deitado naquele chão congelado.
- Que é que cê tá fazendo aí? - disse alguém numa voz estranha. Fingi que era minha imaginação, ignorei. Chute nas costelas, me contorci, abri os olhos, jeans, chute nas costas.
- Ele tá drogado - voz mais leve, mais jovem.
Que era aquilo na minha frente? uma colher? uma loja? agora era uma enfermeira que estava na minha frente.
- Encontramos ele na rua, tava caído, achamos que está drogado - eu conhecia essa voz de algum lugar. O tempo passou de volta.
- Sai, Jeremy! O moço tá doente, precisa dormir!
- Mas quem é ele?!
- Mais um amigo do seu tio...
Agora só tinha ácido, e depois eu acordei. Estava bem, estava me lembrando, estava vivo e pulsante, meu coração estava na minha boca, minhas mãos também. Fiz de tudo para erguer minha vontade, mas só ergui meus braços e minhas pernas, fiz de tudo pra caminhar no vento, mas só caminhei no carpete, descendo a escadaria, encolhendo a louça, ateando fogo ao mordomo. Que é que aquele mordomo estava fazendo lá?
- Estou queimando, senhor, só isso - não era essa a voz do pivete que me chutou as costas?
Me chutaram as costas? O mordomo queimava, e lá fora o gelo cobria todas as coisas. Aqui dentro não, aqui dentro era só calor, só amor, só lareira, só reação exotérmica, só carinho e aconchego familiar. Era a dor do calor na minha boca que o mordomo sentia. Mas o mordomo não sentia nada.
- Se o senhor quiser eu sinto, senhor - não era a voz do pivete não.
- Cala a boca, não pedi a sua opinião.
Quem, minha mãe? Não, ela é a marca da sanidade disso tudo, ela é a quentura indecente da família. Agora não eram mais enfermeiras nem pivetes, era a família. A família. A família não é a unidade básica de formação da nossa sociedade, da nossa cultura, da nossa civilização? Não são as dores do parto maiores que as dores do pudor? Não é no parto que a mãe aprende a trocar as fraldas do filho, a morder suas bochechas e a suportá-lo em suas mais ridículas manias?
- Quem é o rapaz de branco?
- Que mordomo?
- O rapaz de branco - que voz?
- É meu filho, sou pai! - era um velho.
- Parabéns!
- Devia ter agradecido antes, agora é tarde.
Devia mesmo, velho lerdo. Não aprendeu a trocar fraldas. Não aprendeu a gerenciar o calor da família. Não aprendeu nada senão em qual número jogar outro número. Será que foi o que eu tomei, será que foi o que eu fumei, será que foi alguma coisa ou será que sou eu mesmo? Mas ainda é uma madrugada lá fora, não importa quantas famílias me acolham, quantos mordomos queimem meu coração em dentes, quantos pivetes me chutem as costas e as costelas, quantas vozes me atormentem os sonos, nem quantas enfermeiras me destruam as vistas, sou todo ouvidos. Sou todo ouvidos orvalhados de cera.

domingo, 2 de novembro de 2008

Cinema Nacional a R$2,00

O melhor do cinema nacional por apenas R$ 2,00!

SOMENTE DIA 03/11, SEGUNDA!!

Park Shopping Barigui
ÚLTIMA PARADA: 174 (16 Anos) 18h15 - 20h50
A CASA DA MÃE JOANA (14 Anos) 11h50 - 13h55 - 15h55 - 18h00 - 20h00 - 22h00
OS DESAFINADOS (12 Anos)11h10 - 16h25 - 22h15
A ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (18 Anos) 13h45 - 19h20
ESTÔMAGO (16 Anos) 11h00 - 13h05 - 15h15 - 17h25 - 19h40 - 21h55
CHEGA DE SAUDADE (12 Anos) 10h35 - 12h35 - 14h25 - 16h20 - 18h20 - 20h25 - 22h35
POLARÓIDES URBANAS (14 Anos) 17h35 - 19h55 - 22h05
SEXO COM AMOR? (14 Anos) 10h45 - 12h50 - 15h10 - 17h40 - 20h05 - 22h20
MEU NOME NÃO É JOHNNY (14 Anos) 10h20 - 13h00 - 15h50 - 18h35 - 21h30

Shopping Mueller
A CASA DA MÃE JOANA (14 Anos)11h50 - 13h55 - 15h55 - 18h00 - 20h00 - 22h00
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (16 Anos) 11h05 - 13h40 - 16h00 - 18h25 - 21h00
LINHA DE PASSE (16 Anos) 17h30 - 19h50 - 22h10
ERA UMA VEZ... (14 Anos) 10h45 - 12h50 - 15h10 - 17h40 - 20h05 - 22h20
ESTÔMAGO (16 Anos)11h00 - 13h05 - 15h15 - 17h25 - 19h40 - 21h55
SEXO COM AMOR? (14 Anos) 17h10 - 19h15

Grátis - Exposições



Coletiva do Solar do Barão

O Centro Cultural Solar do Barão sedia cinco exposições de artistas nacionais que utilizam as técnicas de gravura, desenho, instalação e fotografia para expressarem sua arte.
As mostras em destaque na Coletiva do Solar do Barão são Meus Olhos, de Carlito Carvalhosa, Escarlate e Negro, de Larissa Franco, Trajestórias, de Márcia Széliga, Sobre, de André Rigatti, e Três, de Carla Vendrami.

Local: Centro Cultural Solar do Barão
Preço(s): grátis.
Data(s): até 23 de novembro de 2008.
Horário(s): terça a sexta, 9h às 12h e 13h às 18h; sábado e domingo, 12h às 18h.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Espaço da Casa n.12 - Sociedade do Sol

Saudações a todos os que estão sintonizados com este plano mais denso de manifestação, saudações tb àqueles que, mesmo em contato, não estejam totalmente 'perceptíveis' ao cérebro medio-cotidiano desse chamado começo de século XXI, acontece que o Espaço da Casa, em sua décima segunda edição, apresenta o trabalho realizado no ano de 2002, em Cascavel - PR, pela banda 'Sociedade do Sol', onde um atual morador da Casa (Rogério Kurek-Baixo), em conjunto com Diego M. Rubel (Cósmico-Harmônica), Daniel Hamud (Ralaster-Voz), Leandro (Sagaz-Bateria) e Carlos Augusto (Guto-Guitarra/Voz) gravavam o álbum intitulado "Antes Ser Um Nada Do Que Apenas Mais Um". O grupo explora temáticas da caótica sociedade industrial-urbana de nossos dias, bem como atenta para a possibilidade de um modo de vida mais harmônico, que quer dizer, no viés da banda, uma sociedade baseada na cooperação mútua em vez de uma competição ensandecida em busca de um poder ilusório dentro da 'cidade normal'.
Influênciados pelo Rock do Raul Seixas, do Casa das Máquinas e Pink Floyd, entre outros, a banda gravou 12 faixas que vc pode conferir acessando o link abaixo.
http://www.sociedadedosol.palcomp3.com.br/

Um intergalático abraço a todos.

domingo, 26 de outubro de 2008

Espaço da Casa nº 11 - Condições de não realização



Condições de não realização
- Seu desgraçado! É claro que eu quero, e é claro que eu gosto de ti! Mas eu te odeio muito mais, por isso não posso me permitir, jamais!; por isso não quero! Tu me forças, és tu mesmo quem me obriga a odiar-te. Porra, eu gosto de ti!, mas é tudo culpa tua... Eu até queria deixar o passado pra trás, eu até queria me entregar, mas não me deixas, não me dás possibilidade, não me deixas escapatória senão odiar-te e expulsar-te de minha presença. Será que não consegues enxergar que não posso ser aquilo que queres que eu seja? Será que não percebes que pedes, imploras, exiges de mim que eu seja tudo o que vês em mim, sem, entretanto, levar em conta que eu não sou capaz de sê-lo?, que não sou forte o suficiente para suportar aquilo que imaginas em mim?, esse papel tosco que me queres fazer tomar. Não me dás apoio, não me sugeres força; mostra-te seguro, mostra-te capaz de sustentar aquilo que tanto queres, em mim e em ti, e eu serei tua, mas sozinha não posso. Não sou isso que vês em meus olhos. Não sou mais que essa inocência que às vezes escapa no riso, ou na dúvida. Sei que vês em meu sorriso uma provocação terrível, sei que vês nesses dentes o reflexo dos teus sentimentos, sei que parece-te que ao meu olhar, de repente, escapa você próprio, mas queres que eu sustente isso tudo, sozinha; impossível, querido. Não posso sustentar essa mentira. Por que não me deixas ver em ti as mesmas coisas? Por que têm que ser as nossas relações tão embriagadas de ti tão real?, e nunca me deixas ver algo além desses olhos fixos, mortos, que me empurram pra longe e me odeiam como realmente sou. Será que nunca perceberás que é tudo falso, que quem me enxerga como realmente sou não és tu, mas são os outros, e é por isso que tornas nossa relação a dois insustentável? Faço de tudo, tudo mesmo, pra mostrar-me a ti, mas não é a mim que queres ver, não me podes ver, e é só por isso que não me podes ter. Não vês que assim me esmagas?, que quando forças essa profundidade toda em meus olhos ela me esmaga, que quando busco emprestar de teus olhos força pra sustentar o que vês nos meus, ou mesmo um poço de semelhante profundidade para equilibrar nossos olhares, só encontro esse olhar morto e adulador, essa obsessão quente e essa obsessão fria, e é então que fujo, que busco em outro lugar, que me esmago, que te empurro... Não estás nunca disposto a sustentar nada, só queres te mostrar fraco e venerar em mim aquilo que não existe. Não existe. Eu sou a inocência, a fraqueza, a burrice, a irritação, a fadiga, a indisposição, a doença, mas não posso nunca ser a morte em cada uma dessas coisas, porque isso seria ser grande demais. Tenho que ser a fraqueza que finge força, pra poder ser fraca de verdade, pra poder mostrar que sou fraca, pois a outra fraqueza, extrema, não pode se mostrar, porque não chega a tentar, não há uma tentativa que fracasse, que mostre fraqueza. Sou a burrice que finge esperteza. Irritação, fadiga, indisposição, doença fingidas. E é assim que os outros podem me ver, e é assim que eu posso existir no mundo e ser real, e é dessa mulher que você está exigindo a outra, grande. Não me terás porque não me queres, porque não sou gigante, porque não me deixas ser, porque me empurras e me afugentas, e fazes isso de tal modo que fico eu a culpada, eu a parecer que te empurro, eu a fugir com os olhos para respirar mais uns minutos. Eu a te odiar. Amas a ela, mas a mim? Só fazes odiar-me.
- Mas eu te amo... será que não vês?
Será que ele não havia entendido nada do que eu disse? Soltei meus pulsos de suas mãos decididas com algum esforço, empurrei-o para fora do elevador e passei só uma vez meus olhos por seu olhar patético antes de me esconder atrás das muitas pressões do “T”. A porta fechou e eu relaxei, soltei dos pulmões o ar que me sufocava e irritava ao extremo. Como já era esperado, quando contornava o prédio ouvi um grito por alguns segundos, seguido de uma forte pancada no chão, do outro lado do edifício, continuei andando, impassível, girando na mão o velho e pesado cadeado, enquanto a outra, fechada em punho, aguardava paciente a ordem de converter minha irritação em insulto.


domingo, 19 de outubro de 2008

Espaço da Casa nº 10 - (Re)tensão



O mundo gira incessantemente e rápido, cruel e mais veloz e veloz como se eu me deslocasse pelo ar em fúria dentro de um kamikaze em direção a um navio cheio de pessoas gritando e ligeiro eu entro nos olhos deles e atravesso todas as suas lembranças e cada medo deles floresce em mim neste momento. Quando parece que a dor de cada uma daquelas pessoas em chama vai passar, eu os vejo. Eles... Eles! 


São os covardes infames desgraçados, mas não fogem, pois se trata de outra espécie de covardia, então eu vejo a chuva torrencial de napalm quente queimando a última partícula e percebo que na verdade é o meu sangue os lavando e imagino queimando a alma desses desgraçados. Eu nem estava ali quando as coisas começaram, não sou o culpado dessa bagunça toda e sinto o estupor apenas me transportando devagar agora entre um exército vermelho. Eu sei que a conquista é montada em solo árido inocente exausto. Consigo até mesmo perceber gritos a quilômetros e quilômetros de distância, como se eu os visse correndo na minha direção trazendo o desespero de seus desafortunados donos bradando cenas nunca sentidas. Vejo sombras na luz desse belo e maravilhoso florido dia. Eu sei que estou preso nesse segundo para toda a eternidade e toda e toda e toda. Anos e anos e anos de derramamento de sangue e uma espera que suga a vida aos poucos e quando ela acaba começa a tormenta e tempestade. Quando a desesperança toma de completo e onipresente meu ser o sádico fluir das coisas parece rir de mim e então eu empunho minhas armas e respiro e avanço apenas pra me defrontar perante o horror involuntário abrupto intrusivo que traz o desespero aterrador como um tiro na minha cabeça ao perceber a minha fraqueza. Eles estão encarando o meu caminho e cuspindo e lendo minha mente, atropelando cada centelha de vida que já houve um dia. Grito sozinho de pé na escuridão quando tudo se vai e deixa o rastro de fumaça e o cheiro de carne queimando em meio às chamas que consomem o meu corpo que espera a luz ausente que nunca chega. E quando chega destrói mais do que tudo que antes arrasou cada centímetro de terra, luzes cegantes vindo de todas as direções nesse palco bastardo de asco e vísceras vomitadas expostas nas faces tortuosas e ofegantes aos meus pés. Corpos dilacerados em vários estágios diferentes de putrefação, um mar fermentado butírico recheado de vermes, ossos expostos cobertos por finas camadas de sofrimento. Vidas rasgadas saindo dos corpos seminus translúcidos, para baixo e em espiral perdendo-se na fúria contida das nossas almas podres. Eles continuam seus escárnios com ironia refinada. 


E eu mesmo, empalidecido por baixo das manchas de sangue, com a pele gelada e rija e rugosa raspando desconfortável nos meus trapos. Vejo-me em meio à necrópole implorando por ajuda em meio aos meus gritos emudecidos pela devastação incessante.


A graça não exercida de nossos corações se enche de raiva e vinga-se de um por um com crueldade e lentidão. A compaixão nunca exercida se enche de repulsa aos seres humanos e os empala lentamente, um a um. A minha liberdade nunca expressada fecha todos os muros ao redor de mim até me sufocar. A fé nunca sentida torna-se o desdém destruindo qualquer certeza das mentes que perderam a humanidade e caminham feito zumbis por todo o campo relvado de miséria e suor.


Não consigo respirar.
Pensar.
Viver.


- Acalme-se, por favor. – A agitação foi penetrada por uma voz calma e grave. Eu tremia na cadeira em frente a uma bela mesa com um pequeno busto de um velho de barba. Dando conta de mim mesmo aos poucos.
O velho de verdade, atrás do busto prosseguiu:
- O senhor ficou paralisado durante alguns segundos, - foram horas, pensei eu - parecia em pânico. 

-Contudo, acalme-se, - prosseguiu o senhor - eu tenho uma boa notícia, de acordo com tudo que conversamos neste mês, creio ter um diagnóstico. O senhor muito provavelmente apresenta estresse pós-traumático – estresse o cacete! velho filho de uma puta -pensei, roubando meu dinheiro, desgraçado. 

O velho prosseguiu.

-Vai fazer uso de Sertralina e Topiramato, a minha secretária vai indicar as dosagens com calma depois, após um mês o senhor retorna e veremos se a medicação surtiu efeito.




Grátis - "Metabiótica”, de Alexandre Orion.


No processo de desenvolvimento de “Metabiótica”, Orion aplicava uma pintura na parede e, com a câmera em punho, aguardava pelo momento decisivo em que as pessoas interagiam espontaneamente com suas pinturas. Enquadrando a situação exata, o artista promoveu a união entre as tintas e a vida real, simulando o encontro (ou o confronto) entre realidade e ficção dentro do campo fotográfico. “é nesse momento decisivo de interação entre o pedestre e a imagem pintada que a fotografia de ‘Metabiótica’ é gerada, contrapondo-se aos tradicionais quadros fotográficos que nos transmitem a falsa idéia de que tudo o que é fotográfico é real”, explica Orion.



Algumas de suas obras integram os acervos do Banco Itaú, do Museu da Imagem e do Som (São Paulo) e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. O artista já recebeu convites para expor na Bienal de Florença (Itália), em São Francisco (EUA) e para um workshop e exposição no projeto Communication Revolt em Palermo (Itália).

A Galeria da Caixa recebe, a partir do dia 8 de outubro, a exposição “Metabiótica”. A mostra, que já passou pela Pinacoteca de São Paulo, apresenta um novo olhar sobre o cotidiano, o imaginário e a relação entre as pessoas e a cidade, criando um elo entre o espaço externo (ambiente urbano) e o espaço interno (galeria).




Exposição: "Metabiótica”, de Alexandre Orion
Local: Galeria da Caixa
Data: Abertura 07/10/2008, 19h30. A exposição permanecerá aberta até o dia 02/11/2008
Horários de visitação: De terça a quinta das 10 às 19h e de sexta a domingo às 10 às 21 h
Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 280 - Edifício Sede II
Informações: 2118-5114
Ingresso: Entrada franca

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Geléia das Artes



Vem aí uma festa que vai reunir artistas locais na Casa do Estudante. Haverá exposição de trabalhos de artistas locais como: Orlando(Muzca-Lab), Gustavo Beghini, fotos de Emanuel e Kurek, além da parte musical, que, para nosso privilégio, conta com duas bandas que produzem o seu trabalho aqui na cidade de Curitiba, as duas bandas possuem integrantes do curso de Música da UFPR. André, da Sinhá Insana é também morador da CEU enquanto Vini, na Innexus é também colega de Emanuel que por sua vez é colega de Ganesh que por sua vez também tem aula com o Victor Microchip que faz aula com o toda essa galera aí e ainda chamou muito mais gente prá vir!!!



Através do evento, que inclui uma jam session, o som estará nas mãos dos dj's: Emanuel Fraga, Muzca-Lab Project,Victor Microchip e Ganesh. Confira.
Dia 24/10 sexta-feira às 22:00. Na Casa do Estudante, Luiz Leão 01.

sábado, 11 de outubro de 2008

Alguns eventos culturais gratuitos

"Muitos eventos culturais, seja de qual cidade for, não são divulgados em mídia de massa. Andei pesquisando alguns eventos que acontecem com frequência em Curitiba e descobri coisas boas. Vamos à elas?

Blues no Bosque todos os domingos no Bosque João Paulo II

Todos os domingos, às 16 horas, acontece o projeto “Blues no Bosque” no Bar do Bosque João Paulo II. No palco, a banda Cotton Blues intepreta os maiores clássicos e hits mais contemporâneos de grandes nomes do blues, além de músicas próprias e um repertório diferente a cada show.  Vale a pena conferir.    O Bar do Bosque João Paulo II fica atrás do Mercadorama da R. Mateus Leme.  Entrada franca.

Bosque João Paulo II

Casa da Leitura no Parque Barigui

Casa da Leitura, espaço de literatura da Fundação Cultural de Curitiba instalado no Parque Barigüi, reúne num mesmo lugar um valioso acervo de cerca de 800 livros infantis, infanto-juvenis e para adultos, jornais e revistas, espaço para quem quer ler, o Teatro da Maria Fumaça – que tem teatro de bonecos aos domingos – e uma sala destinada à contação de histórias, uma das atividades mais concorridas do espaço. A Casa da Leitura é também o espaço das Rodas de Leitura, que reúnem pessoas interessadas na discussão de determinado texto literário. A possibilidade de ler um livro no Parque Barigüi, onde está instalada a Casa, é outra possibilidade. Quem empresta os livros para ler na área verde do parque pode emprestar também uma espreguiçadeira. Para isso, basta apresentar a carteira de identidade ou fazer o cadastramento na Casa da Leitura.

Também estão entre as atividades, o trabalho dos educadores e estagiários da Coordenação de Literatura feitos nas bibliotecas da Fundação Cultural. Eles misturam oficinas, narração de histórias, interpretação, jogos e brincadeiras para crianças e, no caso dos adultos, música e poesia com o objetivo de estimular o ato da leitura. Também aos domingos acontececem sessões de teatro infantil, às 16h, no Teatro da Maria Fumaça (dentro da Casa da Leitura). Os horários de funcionamento são:  de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h30. Aos sábados e domingos, das 10h às 17h30. Entrada Franca.

Casa da Leitura

Museu Ferroviário no Shopping Estação

São mais de 600 peças centenárias, como apitos, sinos, telefones, telégrafos, maquetes, réplicas, mobiliário, mapas e documentos, além de locomotivas. O museu finciona todos os dias, das 12h30 às 20h30. A entrada é franca e fica no Shopping Estação.

Museu Ferroviário de Curitiba

Estação Natureza no shopping Estação

A Estação Natureza é uma exposição interativa que valoriza a biodiversidade brasileira. A proposta deste espaço é proporcionar entretenimento, disseminando valores, conceitos, atitudes e mobilizando o maior número de pessoas para a conservação da natureza. A Estação Natureza funciona de terça a sexta-feira das 13h às 18h. Aos sábados e domingos das 15h às 19h. Para escolas, com agendamento prévio, a Estação Natureza funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 17h30. Agendamentos e informações pelo telefone (41) 3232.8091.

Estação Natureza no Shopping Estação

Sei que existem muito mais eventos pela cidade e com o tempo irei pesquisando melhor e postando aqui.

Abraço"

Texto retirado de http://teusmapress.evonblogs.com.br/

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Espaço da Casa nº9 - Novo clipe com Direção de Fotografia de Ceuense

O novo clipe da banda curitiba Mordida, conta com direção de fotografia do ceuense Antônio Junior.
Assistam ao clipe da música "Eu amo vc" e deixem seus comentários.

Para ver o clipe com melhor qualidade, entrem no youtube e selecionem a opção de assistir em alta qualidade.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

FESTA da Música UFPR e DECULT !

O Departamento Cultural da CEU, em parceria com o CAMURCS e demais alunos do curso de Música da UFPR estão organizando uma GRANDE festa!

A antiga biblioteca da Casa é o espaço onde pretendemos realizar o evento.

O formato da festa inclui 2 ambientes,
contando com JAM sessions (com os alunos do curso
e com os músicos da casa), bandas, discotecagens e a participação de artistas e do público, em processos de interação artísticos.

Quem estiver interessado em ajudar na organização E/OU se apresentar no evento (ou somente na JAM), ou ainda expor, pintar, performatizar, debater, declamar..............)

envie um e-mail para culturaceupr@gmail.com
OU para camurcs2008@gmail.com

Previsão da festa, dia 24 deste mês de Outubro.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Estréia de filme com Produtor da CEU


Estréia do curta metragem “Com as Próprias Mãos”, que apresenta como Produtor, o morador da CEU, Antônio Junior.

Local: Museu Oscar Niemeyer (MON), no III Festival de Cinema do Paraná
Data: 12 de outubro
Horário: 19h
Entrada Franca

Direção: Aly Muritiba
Produção: Alumiar Filmes
Co-Produção: Processo Filmes
Gênero/Duração: Ficção -- 15 minutos
Informações: Aly - (41) 8862-5825
Trailer

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

100 anos sem Machado - Comemorações em Curitiba marcam os 100 anos sem Machado de Assis, com entrada Franca!


O centenário da morte de Machado de Assis, em 29 de setembro, está sendo motivo para uma semana de atividades em memória de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. A Secretaria de Estado da Cultura está promovendo desde de segunda-feira o evento Cem anos sem Machado. A idéia é mostrar de que forma a literatura dialoga com as outras linguagens artísticas. A obra de Machado é então lembrada com exposição de artes, show musical, mesa redonda e apresentação teatral. Todos os eventos têm entrada franca.



Sobre Machado de Assis:
Joaquim Maria Machado de Assis foi cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, sendo considerado um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo. Aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema "Ela". Colaborou intensamente em jornais como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista.

Mais tarde, podendo dedicar-se com comodidade à carreira literária, escreveu uma série de livros de romances, contos e poesias, alguns deles considerados grandes marcos da literatura nacional, como "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), "Quincas Borba" (1892), "Dom Casmurro" (1900), "Esaú e Jacó" (1904) e "Memorial de Aires" (1908), além de textos para peças teatrais. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, que passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis, graças à sua importância. O estilo literário de Machado tem inspirado muitos escritores brasileiros ao longo do tempo e sua obra foi adaptada para televisão, teatro e cinema.

Evendo do dia 4 de outubro - sábado:
20 horas – "Capitu – Memória Editada". Peça teatral baseada na obra de Machado de Assis com o Grupo Delírio, dirigido por Edson Bueno. Elenco: Janja, Regina Bastos, Edson Bueno, Marcelo Rodrigues e Tiago Luz. No Auditório Brasílio Itiberê (R. Cruz Machado, 138. Anexo ao prédio da SEEC).
A peça inspirada na obra de Machado de Assis, será encenada pelo Grupo Delírio, dirigido por Edson Bueno. Em cena a trama de Dom Casmurro é contada não só pela memória de Bentinho, mas também por personagens paralelos e contemporâneos, que interagem com o texto de Machado de Assis e fazem referência a ele, convidando o público (leitor) a preencher as lacunas, assim como fez o grande escritor. No elenco do espetáculo: Janja, Regina Bastos, Edson Bueno, Marcelo Rodrigues e Tiago Luz.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Festival de Cinema do Paraná

De 6 a 12 de outubro, no MON, acontece o Festival de Cinema do Paraná.
Confira a programação completa, aqui.

Em breve! Exposição de fotos histórico/artísticas. Fique ligado!


terça-feira, 23 de setembro de 2008

Cinema Grátis na Biblioteca Pública do Paraná

23 a 25 de setembro, 2008

Cinema e Literatura:
Páginas Filmadas - Machado de Assis

Local: Auditório Paul Garfunkel
Horário: 15:00

23 - QUINCAS BORBA
24 - A CARTOMANTE
25 - MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

26 de setembro, 2008

Cine Clube Anníbal Requião

Local: Auditório Paul Garfunkel
Horário: 18:00

26 - AVENTUREIRO DO OESTE - Após o filme, projeção do seriado TERROR DAS MONTANHAS
Onde?
Rua Cândido Lopes, 133 - Curitiba
Telefone: (41) 3221-4900 - Fax (41) 3225-6883

Semana Acadêmica de Letras - UFPR





A Semana de Letras é um conjunto de atividades acadêmicas, reunindo mesas-redondas, simpósios, palestras e conferências de discentes e docentes do Curso de Letras da UFPR – com participação de pessoas ligadas a outras instituições de ensino. Constitui uma oportunidade única para a divulgação da produção de conhecimento realizada por alunos e professores, complementando a formação recebida em sala de aula nas disciplinas optativas e obrigatórias.



A Semana de Letras de 2008 acontecerá na semana de 22 a 26 de setembro, nos seguintes horários:

Manhã: 8h00-12h00
Tarde: 14h00-18h00
Noite: 18h30-22h00



PROGRAMAÇÃO:


http://www.letras.ufpr.br/documentos/graduacao/semana_letras.pdf

Festa de Administração...


sábado, 20 de setembro de 2008

Espaço da Casa n. 8 - Ceia

Segue um conto de autoria minha, desversando sobre fanatismo, num contexto um pouco excêntrico.





Ceia



Vade, sume tibi uxorem fornicationum,
et fac tibi filios fornicationum.



“Ordeno-te: pega uma puta e vá ter filhos da puta!”. Definitivamente, sem qualquer margem de dúvida penso que algumas pessoas não deveriam ter levado a frase acima tão a sério. Alberto era um grande filho de uma puta. A bela ordem acima foi dada por Deus, o cara lá de cima das barbas brancas e aquela história toda, dirigida indiretamente através de um anjo, mensageiro, o scrapbook, o sms divino. O felizardo dignificado com tal diligente e prestigiosa honraria era o profeta Oséias, personagem bíblico que deu origem ao nome do jogador do Palmeiras do cabelo estranho. Puta merda, cabelo escroto aquele.
Ordem do caralho! Imagino o anjo do senhor, descendo em toda a sua transfiguração e glória e fulgor num halo de pureza e... pose de glam dos anos oitenta, fedendo a maquiagem queimada pelo fogo do senhor dizendo pra ele engravidar a turba de putas da cidade.
O pai do Alberto era um desses idiotas que levou a frase a sério. Deu a luz ao maior filho da puta que eu já conheci, chato, aporrinhador, o sujeito recendia uma pureza que enojava assim como quando se usa um detergente de quinta categoria numa repartição pública esverdeada. Recendia como um produto de má qualidade e como uma buceta de puta mal lavada. Chega de putas. Que eu não sou cristão e não pretendo engravidar nenhuma.
- Cara! Quando eu to naquele lugar sagrado eu sinto uma força e expulso todos os meus demônios. – dizia o Alberto.
E eu tendo de suportar aquele cabelo penteado com banha de porco. Aquela felicidade fingida e desesperada e aquele sorriso banguela de quem enlouqueceu. Sem esboçar qualquer reação diante do comentário eu só conseguia pensar assim como o filho de Deus, e clamava aos brados da minha mente para um céu avermelhado que rugia acima de mim: “Pai! Porque me abandonaste?”. O comentário tinha sido tão exagerado que eu insisti em permanecer dentro do meu devaneio a ter de enfrentar aquele sorriso irritante. Assim, eu encenei as mais engraçadas poses de Jesus nos momentos mais constrangedores como quando ele resolveu dar uma de fiscal do rapa e acabar com o comércio no templo dos Judeus. Deus! Eram judeus!!! O que mais poderiam fazer? Eles ao menos não queriam que o filho de deus morresse asfixiado pregado num pedaço de madeira para saldar os nossos pecados ainda nem cometidos, isso sim era usura e comércio.
Só que o Alberto estava ali, com aquela cara de maluco esperando a minha reação, como se não fosse suficiente eu não falar nada. Enxergava o infeliz expulsando demônios no solo sagrado e lembrava novamente de Jesus, dando um rewind no filme da paixão de Cristo eu chegava nas cenas dele expulsando demônios. Nada deveria ser mais fácil pro Diabo que entrar no corpo de algum mendigo esfarrapado morrendo de fome. Sem muito trabalho, com alguns pães e... quem sabe; um pouco de atuação, eu poderia expulsar dez demônios e capirotos e cramunhões por dia.
O mais estranho nessa história toda é o mal gosto dos diabos, não posso deixar de perceber o apreço pela ralé e pelos mendicantes. Nenhum governador, nenhuma modelo, nenhum ator internacional... nenhum médico, jurista, professor, nenhum estudante de bandolin ucraniano. Só os suplicantes.
- Eu não tenho tempo nem paciência pra essas coisas, sem contar que parece perigoso. – retruquei sem pensar, bem aos moldes albertianos.
- Mas cara! Você paga uma ninharia, é uma espécie de gratidão àqueles santos pra entrar em êxtase por duas, às vezes três horas! Eu saio rouco e com a alma lavada.
Quem sabe uma boa punheta aos gritos resolvesse, pensei. Ali, eu era uma mistura de indignação e violência contida, de raiva e respiração prolongada, aquele ser, depois de tantas pregações feito essa tinham me feito odiar a sua causa. Eu lutava contra um cavaleiro negro gigante que ria de mim e me perspassava o punhal da ignorância, dizia zombeteiramente que eu falasse tudo que sentia e acreditava. Se aproximava e eu sentia o fedor nauseante e via sua pele descarnada e vermelha e com cicatrizes que ria e ria e ria. De repente notei que estava numa reunião de família e o gole de bebida antes de responder fez meu estômago aquecido voltar ao mundo dos vivos. O filho da puta é meu cunhado, não posso ser sincero, pensei.
- Quem sabe um dia desses eu vá assistir com você Alberto, vamos ver. – respondi, no meu tom mais dissimulado.
- Assim que se fala campeão! – e me deu um tapinha nas costas que quase fez eu arrancar a laringe do desgraçado com o garfo da salada.
Detesto torcedores de futebol, pensei.

Espaço da Casa n.7 - Marcas do Corpo

Este, reservado para registrar a exposição "Marcas do Corpo" realizada no dia 05 de agosto deste tão 2008 ano de 2008 no salão principal da casa. Constituíram o material para a apreciação os trabalhos de Gustavo Beghini (morador da casa) e seus colegas da escola de Belas Artes do Paraná: Ana Luiza Vaz, Leandro Perini, Vanessa Brandalize e Cristina Jardanovsky. Além de um apetitoso coquetel com pistache, castanhas, canapés, bebidas, vinho!, quem conferiu a mostra pôde prestigiar o duo Gustavo (clarinete-música-fap) e Leonardo (violão-embap) trazendo o que há de melhor (!gostaram??!!) trazendo o que há de melhor! do choro e da mpb!! É isso aí! Confira as imagens.






"Um Corpo para uma Roupa". Folhas de revista e tecido.
Cristina Jardanovsky - 2008.






"Sem-título". Papelão, papel machê e massa plástica.
Vanessa Brandalize - 2008.




"Sem-título". Papel machê e gesso.
Ana Vaz e Leandro Perini - 2008.






"Chronos". Instalação de balões de festa.
Gustavo Beghini - 2008






"Só-li-dão". Instalação móveis da ceu.
Gustavo Beghini - 2008.








"Sem-título". Instalação garrafas, armario da ceu.
Ana, Leandro, Gustavo e Vanessa - 2008.

Aguarde a postagem de novas imagens.
Abraço a todos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Espaço da Casa n. 6 - Pernas

É tempo de trazer às inférteis terras binárias mais um conto, novamente de minha própria autoria. As correntes de ácido talvez componham aqui uma atmosfera mais sólida, mais abundante, e ainda assim menos evidente. Boa sorte.

Pernas

O que eu quero contar não pode ser explicado, porque não pode ser entendido. Mas pode ser contado. Era uma rua muito pequena e torta. Tinha apenas uma quadra, mas era espantosamente movimentada. Asfaltada, no centro, de duas mãos; cada mão com duas pistas, as mãos divididas entre si por uma espécie de canteiro ou faixa de calçada. Espantosamente movimentada. Muitos carros, motos e aqueles que são, nessa história, os mais importantes, os ônibus. Nessa época eu ainda tinha amigos, conversava com pessoas; chegava até a gostar de gente. Era com alguns amigos, conhecidos, pessoas, colegas, gente, enfim, com quem eu costumava andar, que eu estava naquele dia. Fazíamos qualquer “não sei o quê” no centro da cidade e decidimos voltar para casa. O dia estava cinzento, um desses dias frios que geralmente sucedem um outro dia chuvoso; um desses dias em que, mesmo após a chuva, ainda é possível sentir o gosto de sujeira no ar, gosto que nos anestesia de um modo tal que os detalhes parecem todos inexistentes, ou, antes, cinzentos.

Pode-se dizer que é tudo culpa desse gosto. Eu costumava ser uma pessoa limpa. Não sou mais. Acho que, de algum modo, com esse gosto de sujeira no ar, com essa sujeira em tudo, cobrindo todo o chão e todas as superfícies e tudo que eu levo à boca, é impossível estar limpo, e foi essa conclusão que me fez desistir da higiene. Agora deve parecer que parei de tomar banho, de lavar a roupa, e me tornei um completo e total imundo, compatível com a imundice que me rodeava e que impregnava tudo; mas não foi isso que eu quis dizer. Continuava a me limpar, e mesmo a limpar as coisas, eventualmente; a diferença aparece apenas no objetivo. Não queria mais estar limpo, queria apenas manter um nível de sujeira que parecesse aceitável, que não me atrapalhasse. Essa nova concepção rapidamente fez com que eu não me importasse mais em estar sujo, pelo menos por algum tempo e na medida que isso não me atrapalhasse, de modo que eu não me importava mais, também, em me sujar. É nessa indiferença quanto ao “me sujar” que eu posso colocar a culpa pelos eventos que sucederam, e é através dela que eu posso colocar a culpa na sujeira como um todo, e, especialmente, naquele gosto de sujeira que infesta o ar, ao qual eu me referia no começo.

Mas é imperativo que eu siga adiante e pare de falar da sujeira, pois a narrativa já se tornou enfadonha. Se foi a sujeira, entretanto, que tornou a narrativa enfadonha, e que irritou o leitor, e se isso se deve ao meu discorrer sobre a sujeira sem explicar onde ela se encaixa no contexto ou por que eu digo tudo que eu digo a respeito dela, então o que faz a história cansativa é o não entendimento, é o fato de que é impossível ao leitor, nesse ponto, compreendê-la. Já alertei que essa história não pode ser entendida. Devo recomendar ao leitor, portanto, que, se o não entendimento lhe causa incômodo, ele logo abandone a leitura desse conto. Aquele que acha que a sujeira não deveria ter sido citada deve abandonar esse texto agora. Para os que continuam vamos, contudo, dar um sentido à sujeira, embora não possamos fazer o mesmo com a própria narrativa, e embora mesmo não seja esse sentido deveras aceitável.

Atravessei a rua com sucesso, projetando-me apressadamente frente aos carros que vinham velozes na primeira mão, e tranqüilamente na segunda, onde não haviam carros. Essas pessoas que mencionei antes, com as quais andava nesse período de minha existência, entretanto, eram muito receosas e comedidas, sempre restritas a seus próprios limites, achando mesmo que esses limites eram parte delas; não atravessaram a rua, ficaram parados logo na primeira calçada, deixando aquela fila infindável de carros e outros automotores se alongar entre nós. Suspirei entediado mais uma vez, ao chegar ao outro lado da calçada. Talvez estivesse desde então já saturado desse comedimento, dessa moderação, dessa mediocridade silenciosa e recorrente. O fato é que sentei no meio-fio. Acomodei-me sobre as pedras irregulares, pretas e brancas, e sobre a faixa cinza de concreto do meio-fio. É aqui que o gosto de sujeira do ar recebe de uma vez só toda a culpa que possa haver nessas linhas. Se eu ainda fosse uma pessoa limpa, se ainda soubesse ter a vontade de manter as coisas limpas e puras, jamais teria sentado com uma calça tão limpa em um lugar tão sujo. Mas a sujeira da calçada era mais confortável que ficar em pé, não era importante estar limpíssimo, era apenas importante não estar imundo. Eu nem sequer me sentiria mais sujo ao sentar na calçada, é mesmo possível que me sentisse mais sujo em pé, por gastar mais energia e respirar mais aquele ar podre do que faria sentado.

Sentei. Estendi as pernas sobre o asfalto. Desviei o olhar dos meus próprios pés para tentar enxergar alguém por entre os vultos de automotores. Nesse momento meus sentidos se apuraram, ao mesmo tempo que a parte mais periférica da minha visão registrou algum evento inesperado, o líquido de minha cóclea vibrou de um modo tal que me fez conceber muito distintamente a idéia da aproximação de um ônibus pelo meu flanco esquerdo.

(Não te parece estranho que, mesmo tendo tudo transcorrido tão rápido, seja eu capaz de precisar cada detalhe e cada movimento em ordem cronológica tão precisa?)

Bastou um giro de cabeça para que se retraísse minha visão periférica; meus olhos, de frente, captaram algumas imagens claras de um ônibus muito veloz e crescente, ao mesmo tempo que minha razão matemática, minha noção espacial geométrica me alertaram especialmente para o trajeto de um dos pneus dianteiros, que calcularam coincidir em alguns pontos com a posição euclidiana dos meus joelhos. A reação instantânea da minha faculdade de tomar decisões foi refrear um reflexo que deveria ser mais imediato ainda, aquele de recolher as pernas. Por algum motivo estranho, que eu não sei se se deve realmente ser atribuído à minha tomada de decisão, o supracitado reflexo não se deu, e minhas pernas, nos instantes seguintes, permaneceram inertes.

Eis a problemática toda: foi então que, após certa avaliação, eu, como um todo, como um indivíduo, não como um reflexo, não como uma tomada de decisão, não como a manifestação aleatória de um livre arbítrio idealizado; eu, não como estrutura, não como reação, eu como tudo mesmo, eu no sentido mais amplo; tomei a resolução de impedir que o ônibus arrancasse minhas pernas, tomei a resolução de dobrá-las sobre o meu peito e me arrastar para a parte mais segura da calçada com as minhas mãos. Como disse, quem tomou essa decisão fui eu como um todo, não como uma parte superior que comanda uma parte inferior; por isso não houve contração muscular, não houve coordenação de movimentos de modo a atingir o objetivo proposto: eu quis e então eu estava lá. Não ficou qualquer registro, e não houve mesmo, esse período intermediário, essa fragmentação em estabelecer objetivo, executar meios e atingir objetivo.

Levantei-me, alguém passou ao meu lado e disse, em tom de espanto, que achava que eu perderia as pernas, mas eu não tive forças pra responder, se é que ouvi. Os comedidos atravessaram a rua, rumamos para o nosso destino, eu acho, sem que eu dissesse mais nada... eu acho.

Houve, imediatamente após esse incidente, como que uma dissociação, uma quebra, um esmigalhamento: a minha fraqueza não comportava a existência da possibilidade de uma resolução tomada por algo tão inteiro, tão integral. Se algo assim fazia parte de mim eu não podia suportá-lo; era certo demais, absoluto demais, correto demais para mim. Na minha fraqueza não havia lugar para nada integral. Na impossibilidade da minha fraqueza sustentar essa integralidade é que se deu esse rompimento estranho, avesso a todas as coisas.

Enquanto eu andava, enquanto eu comia, enquanto eu observava, minha mente não podia mais se ocupar de outra coisa senão da resolução desse problema, não podia tratar de outra coisa senão dessa incoerência. Por vezes eu lançava um olhar assustado à realidade, percebia-me de volta nela, apenas para poder, então, delegar essa função a mecanismos automáticos, e voltar a me ocupar da minha dualidade, da minha fraqueza. Que direito tinha eu de manter as minhas pernas? Que direito tinha eu de tomar qualquer decisão? Se nem mesmo os meus reflexos naturais foram capazes de atender às necessidades, como é que podia eu inferir assim sobre a realidade? Mudar as coisas de modo tão drástico? Qual era o sentido de mudar meu próprio destino tão drasticamente? Eu jamais seria capaz de tomar essa decisão, eu nunca faria uma coisa dessas. Não havia em mim qualquer traço tão decidido, tão capaz, tão cônscio a ponto de julgar-se apto a assumir tal decisão, tal responsabilidade; não havia em mim essa ousadia, essa coragem; era eu, também, um comedido! Todo o meu esforço para mostrar-me diferente não era senão para exigir dos outros que deixassem de ser comedidos, exigir deles uma resolução e um poder que jamais seria possível encontrar em mim.

Se eu tivesse perdido as pernas naquele momento, o transeunte chamaria desesperado a ambulância, o motorista acionaria todos os mecanismos que fora treinado para acionar, e choraria as conseqüências da sua distração com os olhos das dívidas, meus companheiros far-se-iam repentinamente ensandecidos, alguns passariam mal, talvez, outros exigiriam providências imediatas, buscariam culpados, não teriam coragem de pousar os olhos nos meus fluidos vitais espalhados pelo asfalto. Meus familiares todos se enterneceriam, muitos se engajariam em lutas sociais pelos direitos dos cadeirantes; todos ganhariam, em meio ao caos de suas incertezas, algo certo, algo que certamente precisava deles, uma razão sobre a qual edificar seus destinos, todos teriam, finalmente, aquele motivo que desde tão cedo buscaram para fazer o que quer que fizessem.

Como era possível que eu lhes retirasse isso? Se eu não possuía mesmo o direito de remover ao transeunte o prazer de participar finalmente de modo ativo em alguma história digna de ser lembrada, como é que poderia eu ter a audácia de roubar-lhes, assim, de repente, o futuro baluarte de suas novas vidas? Como é que poderia eu, agora, compensar isso? Como seria possível fazer-me sustentáculo de tantos destinos, se eu era tão fraco? Onde é que estava aquele eu inteiro, resoluto, que decidira assim, sem mais nem menos, mudar a história, agora que sua força era necessária para compensar a minha fraqueza? Fraco como sou, jamais conseguiria restituir aquilo que lhes tirara à força, com uma força que eu mesmo não compreendia e falhava em sustentar.

Tentei muito incessantemente arrancar minhas próprias pernas, primeiro com objetos cortantes, depois naquela mesma rua... mas os instintos, fossem meus, fossem dos outros, sempre me impediram de obter êxito em minha empresa. Não havia outro modo de dar a todos aquilo que mereciam ter, que precisavam ter, que deveriam ter. Mesmo esse modo não era absolutamente certo. Aliás era certa a sua ineficácia, mas não havia outro. Não poderia haver, eu era fraco. Quando comecei a fazer tentativas com objetos grandes e pesados algumas pessoas descobriram os meus objetivos, e logo comunicaram-nos a muitas outras, que conseguiram desvendar minhas primeiras tentativas. Logo passaram a me considerar louco. Não houve saída. Não pude fazer mais que isso. Dei a eles não aquilo que mereciam, mas apenas aquilo que me foi possível: fiz-me louco. Voltei a ser limpo.