domingo, 31 de agosto de 2008

Um dia de Fúria


Homem destrói cidade com escavadeira blindada


Na pacata cidade de Grunbee, Colorado, um homem se revolta após todos os terrenos ao redor de sua loja serem vendido para a construção de uma fábrica, arrasando com seus negócios! Após tentar ir à justiça, prefeitura, etc, perder em todas as instâncias e ainda ter q pagar US$ 2500 de multa, ele faz o que qualquer Norte-Americano normal faria: reforça uma escavadeira com concreto e chapas de metal!
Após destruir a fábrica, a camara dos veradores, a prefeitura, o banco, o corpo de bombeiros, a biblioteca pública, um jornal local e outros prédios pertencentes ao prefeito, a polícia concluiu que era impossível pará-lo!
Eles tentaram de tudo, desde granadas, tiros, outro trator... mas nada adiantou! Para completar ele ainda tinha 2 semi automáticas para atirar na polícia! A cidade teve de ser evacuada!

Tudo só acabou quando seu "tanque" parou de funcionar e o cidadão se matou com um tiro. Pena...

http://forums.facepunchstudios.com/showthread.php?t=143648

Não evoca a lembrança de ocasiões onde tudo se resolveria com uma escavadeira?..

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Grátis nº 01! Típico preço apreciado por ceuense.

Inaugura-se uma nova seção do blog, aqui as pessoas podem postar eventos culturais gratuitos.

Blues no Bosque
Todos os domingos às 16 horas acontece o projeto "Blues no Bosque" no Bar do Bosque João Paulo II. No palco, a banda Cotton Blues intepreta os maiores clássicos e hits mais contemporâneos de grandes nomes do blues, além de músicas próprias e um repertório diferente a cada show.
Serviço:Blues no Bosque com a banda Cotton Blues
Todos os domingos às 16 horas
Bar do Bosque João Paulo II - Atrás do Mercadorama da R. Mateus Leme
Entrada Grátis
Informações: (41) 3324-2351

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Espaço da Casa n. 4 - Clandestina

Contos da Casa!
Segue um conto de autoria do morador Daniclei Alves, que venho a ser eu. A idéia e o conto surgiram quando, mais cedo nesse ano, alguns moradores da Casa iniciaram uma competição ou, antes, uma espécie de clube cujo objetivo era a composição de um conto por dia. Embora o projeto tenha durado pouco, alguns diriam que deu alguns bons frutos. Outros não, mas, mesmo assim, eis um desses produtos.


Luiz Leão, 01...
Clandestina
Porque permitia aquilo comigo? Não sei, nada importa mesmo. – me virei e fitei seu rosto. 

Ela tinha olhos esguios e feridos e machucados pela chuva e o vento. Uns sulcos na pele do rosto e rugas nos olhos castanhos, no fundo dos olhos. 

– Algum problema além do absurdo da vida? Descansei a visão no seu corpo enquanto ela se recompunha, parecia inteligente, um belo corpo. Antes que falasse qualquer coisa, soltei a garrafa. 

– Com uma personalidade insatisfeita, é normal se sentir péssima algumas vezes. – devo ter acertado, me olhava catatônica, resolvi continuar nessa linha – As pessoas sempre te incentivam e fazem você acreditar que é uma coisa superior, algo além do óbvio, e queria estar aproveitando esse potencial, não? Mas acalme-se, nada vai ser bom o tempo todo, nem ruim o tempo todo. Acredite em mim, com o tempo você vai acostumando com essa merda toda e nada no meio dela sem nem sentir mais o fedor. 

O belo corpo não se moveu, somente me olhava com uma cara incrédula, parecia um espectro. Eu havia bebido demais, estava me segurando pra não vomitar em cima dela ali mesmo. Mas se fosse uma aparição mesmo, acho que não ia ligar. 

– O que você anda lendo? – me perguntou – Que coisa horrível de se dizer.
Reparei numa pequena cicatriz em seu pulso fino, branco e delicado com veias à mostra.


– Sabe, os fatores sociais - especialmente da sociedade moderna - exercem profunda influência sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida. A sociedade está doente, desmotivada e perdeu a sua realidade e nós, somos o pus que escoa dessas escaras.

O pouco racional que restava em mim se interrogava e perguntava porque eu estava falando aquelas besteiras de sociologia I. Ela paralisou. Me olhava com os olhos cheios de fúria e raiva. Fui arrastado pra dentro daquele olhar, lá dentro era uma calmaria e desespero, puxado num turbilhão de pensamentos todos no mesmo instante e lá dentro era uma sinfonia e uma calma num momento e angústia raivosa indecente no outro. Não sabia mais como voltar, nada no mundo existia além daquele caos que era a mente dela. Resolvi voltar a ser um indivíduo um pouco normal, afinal, ainda reparava nas pernas dela.

– Desculpe, eu andei bebendo e falo umas porcarias assim de vez em quando. Quer um gole? – Péssima idéia – pensei – que tipo de idiota você é? Inexplicavelmente, ela aceitou, sorveu a bebida como em fúria consigo mesma, bebia bem, deveria ter experiência em auto-destruição.

– O que você faz? Digo, além de conversar com perdedores no ponto de ônibus? Correu um discreto sorriso entre os lábios. Eu estava apenas falando a verdade.

– Sou... Escritora.

– E trabalha em quê? – Péssimo, deveria lançar um livro sobre como perder uma garota com perguntas idiotas. Ela ficou calada, com um ar levemente impetuoso e ofendido. Perguntei isso, porque tinha amigos metidos a escrever e todos tinham alguma outra profissão, professor, músico – o que exigia uma terceira profissão – caixa de supermercado, gerente de banco. Tentei me explicar.

– Não, sabe o que é? Acontece que tenho amigos que escrevem, e todos têm algum outro afazer, deve ser por causa do país ter poucos leitores, em 500 anos, temos um ou dois caras, que comparados com os outros... Só Machado se salva... Esqueça, estamos no Brasil, nunca seremos grandes só pelo fato de sermos daqui.

No meio da minha “explicação” queria me dar um murro no rosto. Talvez eu devesse beber menos, ficava sincero demais. Burro demais. E ainda queria vomitar. Recebi num primeiro instante apenas um olhar gelado, uma expressão blasé.

– Seremos? Quer dizer que você escreve também? – parecia incrédula, arrogante até, como se fosse uma arte hermética reservada a poucos escolhidos como se eu tivesse dito que pertencia a ordem secreta do último livro do Dan Brown.

Ela havia me acertado em cheio, a angústia e náusea deram lugar a um soco forte e certeiro no meio do meu estômago, cravou uma agulha de tricô em cada olho meu e puxava o conteúdo. Mas agora, tinha de falar alguma coisa.

– Se ler já é uma coisa estúpida, afinal, não é nada útil e sempre te deixa pra baixo... Imagina escrever... – mentira, eu escrevia – Tudo bem, palavras e idéias podem ser arrebatadoras e delirantes e deliciosas a ponto de você virar escravo delas, mas somos uns fodidos de qualquer forma. Se eu escrevesse, ia descrever as sensações físicas e psicológicas de como as pessoas se sentem quando caem as fachadas de sorrisos e elas estão sozinhas em seus quartos. Ia fazer com que cada pessoa que me lesse fosse levada ao desespero. As pessoas gostam disso, deve ser seu lado masoquista.

– É, você é bom nisso. – definitivamente, eu não teria uma foda aquela noite.

Ali, eu era uma mistura de ansiedade, enjôo e da pancada que ressoava por todo meu corpo que ela me deu ao lembrar das minhas linhas que ninguém nunca veria, me perguntava que parte do “você deve ser agradável com as garotas” eu não tinha entendido. Ela caiu num silêncio profundo, olhando para os carros que passavam deixando o asfalto molhado de garoa luminoso com o reflexo dos faróis. Se eu pudesse, se houvesse como, por mim, eu não sabia porque, seus dias seriam de eterno entusiasmo... Devia ser pela sensação que tive quando vi aquele início de sorriso nos seus lábios finos.

*Continuação não terminada não revisada de pouca qualidade.


Realmente não fazia idéia de como prosseguir naquele colóquio de fraudes e frases batidas e nenhuma risada. Ela era apenas uma escritora falida, podia perceber isso somente pelas suas roupas surradas, a menos que fosse desses artistas que acham bonito usar trapos gastos e surrados. Não podia deixar a coisa acabar assim, não podia desistir perante uma mulher suicida e desenganada e frágil, o que meus amigos chamariam de presa fácil. Tinha de pensar em alguma coisa pra dar continuidade à conversa e não conseguia pensar em nada, só sabia – instintivamente – que dessa vez teria de ser agradável. Aquilo estava uma droga, era um belo corpo e eu o queria e não sabia como continuar e pelo jeito que a carruagem se arrastava, se não falasse nada, da parte dela não receberia mais do que um adeus quando seu ônibus chegasse e caso não fosse o mesmo que o meu nunca mais a veria naquela cidade.
– Qual o seu ônibus? – Não era o assunto mais interessante do mundo, mas foi o que a minha inaptidão social despejou naquele momento.
– Aeroporto. – Respondeu fria e seca.
Pior que isso só se eu fizesse uma pergunta qualquer que tivesse possibilidade de resposta monossilábica, o tipo de resposta que me fazia ter vontade de entrar em coma.
– Vai viajar? – O tipo de pergunta imbecil que se faz instintivamente sem pensar, porque a menos que ela fosse uma criminosa indo pegar um avião pra Colômbia, levaria malas consigo. Muitas pessoas pegavam aquela linha que passava por uma região imensa da cidade, se antes ela deveria ter me achado um psicopata cheio de ódio e angústia – coisa que eu não necessariamente era, não muito - por causa dessas minhas perguntinhas idiotas ia me achar um boçal insignificante.
– Não. – Pelo menos dessa vez ela franziu os olhos.
Minha mente vagava por lembranças que consumiam aquele momento. Não conseguia controlar o turbilhão que se infiltrava com pequenas lâminas perfurando todo meu corpo produzindo formigamento e secura e palpitação. O efeito da bebida voltava e eu estava caindo e caindo vertiginosamente mais rápido olhando para o céu noturno sem estrelas que era a minha alma cheia de recordações que faziam a maior parte de tudo que eu tinha e me feriam profundamente. Conforme fui chegando ao solo frio daquela noite de chuva fina, meus sentidos foram retornando. Ela ainda estava ali, as mesmas olheiras que me faziam ter vontade de proteger aquele ser.
– Quais seus autores preferidos? – Ela se virou rápido, surpresa, pela minha conversa de maníaco e simplório deve ter julgado que eu não conhecia nada de literatura.
– Balzac... Bukowski...
– A letra B tem grandes caras hein? – Meu livro sobre como perder uma garota ia ter uma tiragem recorde. Nessa hora achei que ela ia me bater ou tirar uma arma da bolsa, poxa, era pra ser um comentário engraçado. Mas não foi, ao menos pra ela. Tentei melhorar a situação.
– Esses caras são realmente bons... Te deixam pra baixo e fazem o leitor ver que a coisa toda pode ser muito mais decadente, que nem pra isso você serve, pra ser um filho da puta de verdade... – ela pareceu odiar meu comentário e soltou um olhar que me provava que caso houvesse algum ser humano no raio de quilômetros, preferiria conversar sobre a interessantíssima e florescente economia do Djibute com esta pessoa do que comigo sobre literatura.
– Vem cá? Você sempre tem comentários horríveis sobre tudo? – aquilo doeu.
– Na verdade não. Seus olhos são lindos e você inteira parece encantadora. – ela corou.
Soltou um fragmento de sorriso abafado. Ao menos agora eu era um maníaco psicopata engraçadinho. Elogios, benditos sejam! Você massageia o ego de uma pessoa e consegue ao menos que ela não te odeie! Se ainda por cima conseguir fazer com que a pessoa se sinta superior, ganhou um aliado. Acontece que eu não queria uma amiguinha, eu queria despejar meu ser naquele corpo e nunca mais vê-la. Talvez isso fosse evidente demais no meu comportamento e ela não fosse esse tipo de escritora.
No momento seguinte a imaginava secando os cabelos enquanto eu ficaria no computador com blusa de lã nos dias frios tentando escrever meu livro que nunca saía da página vinte por mais que eu escrevesse. Depois líamos e depois ríamos depois sozinhos, porém, apenas a certeza de que ela estaria ali ao lado e nós dois prontos um para o outro pra cada momento de inverno em que leríamos e ficaríamos tristes ou mesmo nos momentos de medo, tudo ficaria mais fácil, afinal de contas, a única coisa que se teria a fazer seria correr e pedir asilo nos braços do outro...
Típico pensamento de perdedor. Ainda mais ao se tratar de uma menina que estava me desprezando, dali para frente, só faltava imaginá-la num vestido de noiva para chegar ao fundo do poço.



Poxa, aquele tinha sido realmente um dia terrível e infestado de baratas e coisas repulsivas nojentas desgastantes, a única coisa boa durante o dia foram as risadas que dei do absurdo da vida, estava na fila do restaurante que servia salsichas baratas nas terças no centro comunitário quando vi uma distinta mendiga indo lavar as mãos, ela tinha uma aparência conflitante, um misto de elegância mal-trapilha, mas o que me chamou mesmo a atenção foi quando ela estava prestes a abrir a torneira, colocou a moeda de um real na boca. Muito higiênica, eu diria. Foram as únicas risadas do dia.
A escritora continuava ao meu lado e a minha cara de pensativo neurótico desleixado e pobre que fala coisas desagradáveis deve tê-la deixado com alguma curiosidade além da repulsa, pois eu podia perceber olhares furtivos na minha direção. Agora parecia que ela queria conversar e isso me fazia pensar que ela realmente devia ser muito solitária e uma presa fácil e complicada ao mesmo tempo porque eu não era o gênio dos bons diálogos e ela, definitivamente, não era muito de falar.
Acendo um cigarro pra ver se consigo pensar em alguma coisa - o de número um zilhão! - e ouço vozes comemorativas e purpurina caindo do teto em meio ao papel picado com faixas apodrecidas e sorriso desdentados dizendo “parabéns!!! parabéns!!! seu bilionésimo cigarro! temos de prêmio pra você: um eczema e um tumor bucal!”
Fui desperto da minha imaginação febril por uma frase dela:
– Você me consegue um cigarro?
– Claro, quer beber mais um pouco? Devo ter uns copos plásticos na bolsa e ainda tem uma garrafa cheia...
Ela sorriu e fez que sim com a cabeça e o que senti foi muito estranho porque eu detestava gente que respondia as coisas apenas com um sorriso, mas ao mesmo tempo a visão de um sorriso dela, um de verdade, não o canto da boca maliciosamente me inspirando a imaginar como seria o seu sorriso me fez esquecer a repulsa que tenho por pessoas caladas feito eu, poxa, somos falantes! Mas as pessoas têm medo de dizer alguma bobagem e acabam também por tédio nos deixando à maré dos piores pensamentos possíveis. Ao menos agora quem sabe eu conseguisse embebedá-la e a arrastar para o meu apertamento-parede-banheiro. O que seria ótimo, pois eu o havia limpado e varri o chão que estava tão sujo que eu não tinha varrido e sim escavado.
– E você, o que faz da vida? – Agora não havia mais aquela expressão de desprezo mas apenas uma curiosidade que esperava algo como carregador de lixo ou misturador de dejetos de esgoto e até mesmo perito em desarmamento de minas terrestres no Quênia não iria a surpreender.
– Bem... Sou... Na verdade... Escritor. – E eu senti uma vergonha e um pudor grande passar por dentro de mim nessa hora. Como se é um escritor se não há nada com seu nome nas livrarias mesmo as mais obscuras, mesmo as que vão definitivamente falir dali um tempo por comprar coisas de autores desconhecidos e as exibir na estante poeirenta, mesmo essas, não sabiam meu nome. Nem minha mãe lia as coisas que eu escrevia. Mas eu sinto essa vontade insana de escrever e colocar todas as coisas que estou pensando num arquivo como se isso realmente tivesse algum valor artístico subjetivo ou qualquer coisa assim, e penso que isso é uma grande besteira. Mas parece uma pulsão sexual, um desejo profundo de conceber forma de fazer existir quase um instinto de sobrevivência através das linhas como se algum dia alguém fosse me descobrir e pensar “nossa! esse cara me entende!!! Ele sacou as mesmas coisas que eu!”, grande vontade de ficar martelando e martelando com fúria o teclado que logo se vai por causa da força que eu faço ele brilhar, logo vou escrever com dois machados um em cada mão arrancando sangue e órgãos das teclas a cada batida e então, o que eu escrever vai ser bom.
– Ah... Agora entendo de onde vem todo esse rancor e pessimismo – Ela disse isso com uma expressão agradável, daquelas que fazem você sentir melhor que é, esquecer todo o resto de lixo e mágoa que eu sentia por estar bêbado a vida toda, mesmo quando sóbrio.
– Não – respondi seco – pra falar a verdade eu deixei de curtir as minhas tristezas então as ignoro – mentira, pensei – acho que aprendi a conviver com ela, assim como o carinha espancado todos os dias na escola depois de um tempo, apanha sem sentir dor... – que grande mentiroso eu era, pensei, mas ao menos isso deveria funcionar, melhor que a minha sinceridade de chicotadas. Ela olhava e bebia e fazia que sim com a cabeça, acho que o álcool estava a deixando interessada em qualquer coisa que eu dissesse, mas como eu bem imaginei, ela nem deu bola pro fato de eu escrever, feito a minha mãe. Continuei:
– É não se permitir chorar, por exemplo, já tentou? Tenho feito isso por anos... – Se continuasse assim, meu nariz ia começar a crescer – talvez eu fique insuportável daqui um tempo, mas que se dane a humanidade – ao menos isso, era verdade.
– Mas e os seus amigos, família? – Ela começou a dar uma de psicóloga e eu sabia onde isso iria parar, na cama. Aliás deve ser por isso que Freud faz tanta alusão sexual, ele deve ter sacado isso na prática, não foi só cocaína. Você começa a se interessar pela vida de uma pessoa e vai acabar trepando com esse alguém.
– Eu tenho amigos que entendem que isso é o melhor pra mim e um dia vou constituir família e viver meu sonho doméstico com alguém que ame todos os dias – Besteira. Só estava ficando um pouco mais sóbrio e tinha de desfazer a imagem de psicopata. O que eu queria mesmo era comprar um carro roubado pra dar umas voltas por aí e comer umas putas.
– Que bonitinho isso – sorriu como se eu fosse um dos Ursinhos Gummy.
– É, minha vida não é feita só de vísceras penduradas na árvore de natal – Devia estar meio bêbada porque ela deu risada e foi fantástico e eu me lembro de cada instante dela feliz.
– E além dos seus escritos que devem ter vísceras por todo lado – gotcha! essa até me fez gargalhar – e sonhos domésticos, do que mais é feita a sua vida?
– Bem... ... Agora... ... Tem você também. – ela corou muito e ficou com a expressão mais bonita que eu já vi na vida.
E depois disso a conversa foi animada e divertida e parecia que nos conhecíamos a tanto tempo falando das neuroses delas e dos meus medos idiotas de escritor falido e desempregado sem perspectivas que nem vale a pena escrever aqui e conversamos em alegre e divertida fúria que parece uma batalha de quem vai falar mais e euforia dominada pela segunda garrafa de whisky no meu mini apartamento.


II


Talvez agora - já é dia - com essa dor de cabeça que toma forma em minha mente mostrando imagens obliteradas e destrutivas de sangue e violência, eu possa perceber tudo que aconteceu tão rápido. O sol ofusca minha visão. A última coisa que eu lembro era do olhar de leve temor que se dirigiu a mim daquela mulher no meu quarto, ela viu meus olhos e recuou para o outro lado da cama – besteira, pensei – eu percebia nitidamente os fios de cabelo liso dela e o amarelo dos olhos nos lençóis, as cores vivas dos tecidos como se tudo tivesse perdido a profundidade e ficasse nítido sobre a minha visão. Os tecidos enrugados parecendo estar sorrindo pra mim com ódio e olhares sarcásticos.
E ela se afastou e encolheu mais e pude sentir o medo, o cheiro do medo, como se eu fosse um animal de caça com um instinto assassino, mas eu só queria uma boa noite de prazeres libidinosos, e o medo dela aflorava e despertava e rugia alto como um vento forte que ecoasse de dentro dela pra mim vindo na minha direção. Poderia descrevê-lo na sua forma mais pura, pois vinha manchado com sangue com uma face desmesurada disforme e retorcida como num quadro de Munch o medo dela tinha aquela aparência e cheiro de mofo, sempre achei que medo devesse ter um cheiro mais forte, mais agressivo, mas acho que o temor que gera o principal tremor é o mais catastrófico abalo que a fazia tremer e parecia tão frágil e abalada que eu tive até um pouco de vontade de pegá-la em meu colo.
Depois disso eu lembro de gritos.
Agora aquele estar mal que entoa uma polifonia de sensações e dores e delícias que vão subindo do estômago como se usasse algum pendante mágico enfeitiçado com pedras negras que sugassem a sua alma aos poucos num espiral pra dentro de si mesmo e quando a alma se contorcesse e gemesse e ficasse toda num canto obscuro do seu peito, explodindo por estar comprimida ali, e não mais no resto do corpo, simplesmente ia se esvaindo aos poucos evaporando no ar devagarzinho se desfazendo indo embora.

É assim a minha angústia.


Metavendagem


Mercado Livre completa 9 anos e anuncia a primeira metavenda do mundo.

Nesta terça-feira, 26 de agosto, o famoso site de compra e venda online, Mercado Livre, completando 9 anos de existência, anunciou um produto que chamou a atenção de milhares de internautas: o próprio site. Trata-se de uma inovação no mercado online pois o site está vendendo a si próprio. A venda remete a imagem mítica de Ouroboros, criatura da mitologia egípcia, chinesa, nórdica e medieval que engole a própria cauda. O leilão começou com o lance inicial de um dólar às 00:00 horas desta terça, e em menos de 24 horas o valor já ultrapassa 50 milhões de dólares, grandes grupos como Google, Yahoo, Microsoft e AOL cadastraram usuários e deram seus lances, no momento desta notícia o comprador é o “Kurt__2008” com um lande de 51.2 milhões de dólares. Os lances podem ser feitos até as 00:00 horas da próxima quinta feira, especuladores afirmam que o valor do site pode chegar a pelo menos 300 milhões de dólares. Estes valores ainda não se aproximam do alcançado pela venda do site de videos Youtube, que chegou à soma de US$ 1,65 bilhão. Ainda, investidores do mercado de compra e venda de sites dizem que o irmão mais velho do Mercado Livre, o E-Bay, pode ultrapassar os dois bilhões de dólares.

Daniclei Alves e Renan Costa

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Espaço da casa n. 3 - Entrevista André Godinho (Sinhá Insana)

Desta vez o Espaço da Casa entrevista o morador, integrante da banda Sinhá Insana e estudante de Música da UFPR, André Godinho:


Espaço da Casa:
André, de que cidade você veio, e há quanto tempo mora na CEU?

Godinho: Sou de Piedade, interior de São Paulo e moro na CEU há 2 anos e meio.


Espaço da Casa:
E como é essa questão do acesso cultural na sua cidade? É grande a diferença numa comparação com Curitiba, por exemplo?

Godinho: Minha cidade poderia ser muito mais rica culturalmente se ouvesse vontade política. Ela possui cerca de 50.000 habitantes e está há 30 km de Sorocaba e fica entre São Paulo e Campinas. Fico perplexo em ver como a política lá esbarra em picuinhas locais. Mas mesmo assim a cidade possui um conservatório municipal com bons professores e de lá já sairam muitos alunos para cursos superiores de música na USP, UNESP, UNICAMP, UFSCAR, UFPR, FAP entre outras universidades. Quanto a Curitiba, sem dúvida é uma capital cultural.

Espaço da Casa:
E de onde surgiu a decisão de cursar Música e por que a UFPR?

Godinho: Essa é uma história maluca. Eu queria muito entrar no curso de música da ECA-USP, o que não é nada fácil. Quando passei, após 4 anos tentando, descobri que meu negócio é compor e tocar guitarra. Então optei pelo curso da UFPR que possui uma grade curricular menos "tradiconal" e também oferece matérias sobre gravação. Estou muito feliz.


Espaço da Casa:
Cantar e tocar na noite (como com o Sinhá Insana) deve gerar situações curiosas às vezes. Você pode contar alguma?

Godinho: Cara, banda no começo entra em cada "furada". Tocamos numa festa do curso de comunicação da UFPR em uma chácara que eu não faço idéia de onde fica, pois fomos de carona. Chegamos lá quase não tinha equipamento. A qualidade do som ficou uma porcaria e ninguém queria sair da festa pra trazer a gente embora. Depois de muito insistir com o cara da organização (ou desorganização) um cara muito bêbado se habilitou em trazer-nos embora. -Ufa, ainda bem que não encontramos nenhum bafômetro no caminho de volta.


Espaço da Casa:
Sua banda participou da festa de comemoração dos 60 anos da CEU, correto?
Como foi a sensação de tocar no salão de casa?

Godinho: Foi bom pra caramba!!! a estrutura era muito boa e isso permite que as pessoas entendam as letras das músicas, haha. E pelo fato de eu ser estudante, tocar numa moradia de estudantes é muito legal. Eu sei o que é ser um estudante sem "grana".


Espaço da Casa:
E quanto ao evento em si, o que você achou? Foi bom, falando como morador?

Godinho: Achei muito bom. Alguns moradores reclamaram de ter que pagar. Seria melhor se fosse de graça pra morador, é claro, mas se for assistir o Nazi em qualquer casa de show de curitiba dificilmente o ingresso vai ser menos que R$15,00.

Espaço da Casa:
E a reforma? Você acha que dura quanto tempo?

Godinho: Puts, não faço ideia. Quero que termine o quanto antes.

Espaço da Casa:
Acho que é isso, obrigado! E se quiser deixar alguma mensagem para os moradores da casa, diga lá.

Godinho: Alô galera da CEU!!!! desejo muito sucesso pra vocês em seus objetivos de vida!!!!! grande abraço!!!


Ouça as músicas do Sinhá Insana no MySpace:
www.myspace.com/sinhainsana


Se você tem algum texto, música, video que gostaria de publicar no Espaço da Casa, entre em contato: culturaceupr@gmail.com

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Espaço da Casa n. 2 - Um ode à derrota

Contos da Casa!
Segue um conto de autoria do morador Renan Costa, que venho a ser eu. A idéia e o conto surgiram quando, mais cedo nesse ano, alguns moradores da Casa iniciaram uma competição ou, antes, uma espécie de clube cujo objetivo era a composição de um conto por dia. Embora o projeto tenha durado pouco, alguns diriam que deu alguns bons frutos. Outros não, mas, mesmo assim, eis um desses produtos.



Um ode à derrota

Acre, podre, ácido, salgado, o vômito me subiu à boca; líquido ou sólido, tudo naquela massa suja e porca que normalmente me sustentava a sobrevivência, tudo era espremido com força contra os meus dentes, deslizando muito rápido pelas frestas desses meus ossos esmaltados, pelas frestas da minha pretensa força calcificada. Minha língua - minha língua parecia também vomitada, se projetava, agora arrependida, contra meu maxilar fechado e, agora mais arrependida, não conseguia abrir caminho e só fazia invejar o sabor do meu estômago; indigna, não mereceria jamais a dádiva que seria a fuga, exceto talvez para poder, rastejando no paladar seco e poeirento daquela madeira imunda, ser esmagada e pisoteada pela sola de meu companheiro de quarto; pusilânime, fraca, imbecil, atrevida, causadora de toda aquela fossa, buscava agora fugir e se esconder, felizmente isso não era possível: estava presa à minha garganta e estava presa à minha sordidez.

O Mateus ainda estava em pé, eu não; sua boca ainda se movia, sua língua ainda chicoteava, seus olhos ainda eram vermelhos e tenazes, seus dentes ainda batiam com a mesma força dos músculos que lhe estrangulavam a garganta, com a mesma ardência com a qual suas faces, sempre tão frias, impassíveis e claras, agora queimavam em rubor. Em verdade, era ele quem vomitava. Era sua alma que eu via expulsa em cada estalar daquela língua, era isso que me diziam as baratas, besouros e moscas comedoras de merda, era isso que me dizia toda sorte de insetos nojentos e asquerosos que ele expulsava pela boca e que vinham me penetrar os olhos, os ouvidos, as narinas para serem depois, com todo o asco que eu tinha por mim mesmo, expulsos naquela podridão que eu forçava contra as cáries.

Eu é que havia insultado primeiro, fui eu quem o desafiou, fui eu quem, imaginando possuir força, escrachou sua fraqueza; era dos meus olhos, agora cheios de formigas, agora furados por pernilongos, que saíam outrora as faíscas mais ameaçadoras, era a minha língua, agora acuada pela força do que eu precisava eliminar, agora medrosa, agora salgada de minha sujeira, agora mole de asco, era a minha língua que moldava os escárnios mais ácidos e, em vil indústria, os dirigia todos ao Mateus. Eu o considerava um fracassado, a escória da humanidade, acreditava que ele se julgava incapaz de vencer e não fazia senão recolher-se a sua derrota, a seu cantinho cagado, a sua voz chorosa, a lamentar a si próprio, lamentar a vileza que é não ter a coragem e nem a ousadia de impor às coisas a sua vontade, infundindo-lhes propósito e verdade; via em meu companheiro de quarto de todos os dias a representação de tudo aquilo que eu jamais suportaria ser, aquela sujeira com a qual eu jamais compactuaria, aquela baixeza, aquela podridão, aquele comedimento, aquele medo, aquelas sanidade e sensatez insensatamente exacerbadas.

Foi num acesso ensandecido que eu decidi pôr fim àquela situação insuportável; aplicar o meu sarcasmo mais sádico, mais azedo, a minha ordem mais imperativa, extraí-lo daquela modorra, daquela doença; o sardonismo me escapou às vísceras sob sua forma mais pulsante e raivosa, apontei insano nele todos os defeitos que consegui encontrar, sob o agouro das palavras mais esdrúxulas; dediquei-me incessantemente por trinta e sete minutos a exorcizar dele aquele derrotismo caído. E consegui.

Foi num outro acesso ensandecido que ele me calou a boca, foi num outro acesso ensandecido que ele fez sair toda a sua podridão, expulsou sobre os meus batalhões de abelhas incessantes exércitos de vespas selvagens; foi a sua sujeira entrando pelos meus poros quando ele apontou em mim todos os defeitos que eu tentava forjar nele, a minha obsessão pela vitória, a minha incapacidade de lidar com a derrota, a pusilanimidade da minha vontade, sempre submissa às coisas, fingindo submetê-las, a fraqueza da minha força e meu asco a mim mesmo. Era uma outra força a que ela tinha, era uma outra fonte aquela de que ele dispunha; sua força vinha não da vitória mas da derrota, não era sua vontade mera extensão de um complexo de vencedor, mas sim uma febre incessante de prazeres e desprazeres, um disparate, uma capacidade insana de atribuir às coisas qualquer significado, um poder invejável de amar a derrota mais que a vitória, a fraqueza mais que a força, o ódio mais que o amor, as vespas mais que as abelhas, o vômito mais que a comida, o sangue mais que a carne, a dor mais que a vicissitude, a danação mais que o inferno, a maldição mais que a bruxa, a terra mais que o sol, os olhos mais que a língua, os ouvidos mais que os olhos e a merda acima de tudo.

O Mateus era um gênio, era possuidor da força que eu sempre quis ter, que eu sempre pretendi ter, era isso que me diziam aquelas baratas, e pernilongos, e aquele suco gástrico e aquela comida podre que ainda me escapavam às vísceras. Ali, a cara esmagada pela derrota, a cara no chão onde despejava meus líquidos, tossindo minhas últimas podridões, assisti impassível a minha língua ganhar finalmente o mundo, e toquei com ela a madeira, e cavei com ela uma pequena fresta cheia de poeira molhada que encontrei, e ali no gosto daquele realismo fui capaz de sentir e amar a derrota, ali me curei, ali desisti de vencer.


(20 de julho de 2008)

sábado, 2 de agosto de 2008

Espaço da Casa n.1 - It's nothing new

O Departamento Cultural tem a honra de apresentar a criação do 'Espaço da Casa', onde é possível conferir os 'Contos da Casa', os 'Poemas da Casa', os 'Cantos da Casa', 'Filmes da Casa', e demais produções artísticas de seus respectivos moradores. Hoje, o Espaço da Casa em sua edição n°1, com muito prazer apresenta o compositor e intérprete paranaense Aguinaldo Martinuci, que traz o primeiro Clipe da Casa. Enquanto a canção foi composta e gravada durante sua estadia em Londres com a participação de músicos locais, o clipe surgiu aqui em Curitiba em parceria com o argentino Enrique Romera (captação de imagens) e com o também morador da casa e colega de curso, o gaúcho, Rogério Kurek (edição). Neste clipe, a canção 'It's Nothig New' que traz elementos de um folk rock tem como fundo o Bosque do Papa em Curitiba. Vale a pena conferir.

Mais músicas de Martinuci no:
Trama:http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=5801
Myspace:http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=364770401
Telefone: 8435-1269, martinuci_7@hotmail.com

Se você tem algum texto, música, video que gostaria de publicar no Espaço da Casa, entre em contato: culturaceupr@gmail.com

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Show Nasi + Reles Pública

Dia 16/08/2008 a CEU (em parceria com a MTV)
estará comemorando seu aniversário de 60 anos!!
Show com Nasi (ex-vocalista do Ira) + Reles Pública.
Ingressos à venda no local, Luiz Leão, 01, Curitiba-PR.
Fone: (41) 3224-1984.
Confira!!

Concursos Literários da SEEC Paraná para o segundo semestre de 2008

A Secretaria de Estado da Cultura do Paraná está realizando a 18a. edição do CONCURSO NACIONAL DE POESIAS 'HELENA KOLODY'. Poderão participar candidatos que apresentem poesias inéditas, escritas em língua portuguesa. O tema é livre. Inscrições até dia 10 de setembro de 2008.
Premiação:
1° lugar: R$5000,00 (cinco mil reais);
2° lugar: R$3000,00 (três mil reais);
3° lugar: R$2000,00 (dois mil reais);
Regulamento e mais informações clique aqui.

- A Secretaria de Estado da Cultura do Paraná promove ainda o CONCURSO NACIONAL DE CONTOS 'NEWTON SAMPAIO' 2008. O autor que apresentar contos inéditos escritos em língua portuguesa até dia 10 de setembro de 2008 estará concorrendo a:
1° lugar R$5000,00 (cinco mil reais);
2° lugar R$3000,00 (três mil reais);
3° lugar R$2000,00 (dois mil reais);
Regulamento e mais informações clique aqui.