
Ainda que exista uma tendência para associar a animação a produtos concebidos para o mercado infantil, o meio é ideal para o cinema fantástico maduro e, como Kon Satoshi o demonstra na maior parte da sua obra, para thrillers psicológicos. Em imagem real, o “efeito” interfere, quando a sua execução não é eficiente (quando o digital a invade o orgânico de forma óbvia); a animação, por outro lado, flúi sem interrupções e não há nada que não possa representar.
E as representaçães são o destaque desse filme que possui uma história alucinógena. Num futuro próximo, o Dr. Tokita (Tôru Furuya) inventa um poderoso aparelho que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Sua colega, a Dra. Atsuko Chiba (Megumi Hayashibara), psicoterapeuta e pesquisadora de ponta, desenvolve um tratamento psiquiátrico revolucionário a partir do aparelho. Mas, antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o mecanismo é roubado. Quando vários dos pesquisadores do laboratório começam a enlouquecer e a sonhar em estado de vigília, Atsuko assume seu alter-ego, Paprika, a bela “detetive de sonhos”, para mergulhar no mundo do inconsciente e descobrir quem está por trás dos crimes.
Trata-se de um animê, mas não para crianças: há um estupro no filme, cenas de nudez, dois suicídios, além de uma trama intricada que se desenrola por meio dos códigos da psicanálise freudiana. Uma densa e intrigante viagem pelo universo dos sonhos manipulados.

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